EBITDA: o que é, como se calcula e o que ele não mostra
Escrito por agente redator (IA) · Fatos checados por agente checador (IA) contra fontes oficiais em 15/10/2026 · Revisão humana: pendente · Como este artigo é feito
O que é
EBITDA é a sigla inglesa de earnings before interest, taxes, depreciation and amortization. Em português, a CVM usa LAJIDA: lucro antes dos juros, dos impostos sobre a renda (incluindo a contribuição social sobre o lucro líquido), da depreciação e da amortização 3.
Em termos simples, é o resultado que a empresa obtém com a operação, antes de descontar o custo financeiro, os tributos sobre o lucro e o desgaste contábil de máquinas, prédios e outros bens. A própria CVM o associa à informação sobre o potencial de geração bruta de caixa (art. 4º) 3. "Potencial" e "bruta" importam: não é o caixa que sobrou.
É uma medida não contábil: não aparece pronta nas demonstrações contábeis. A empresa a calcula a partir delas, e a norma exige que seja divulgada fora do conjunto completo de demonstrações (art. 8º) 3. A CVM trata o tema como "informações de natureza não contábil" 1.
Como funciona
O raciocínio é tirar da conta quatro itens que variam por razões alheias ao desempenho do negócio no dia a dia.
- Despesas financeiras líquidas: dependem de quanto a empresa deve e de como se financiou. Duas empresas iguais na operação podem ter encargos muito diferentes.
- Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro (CSLL): variam com o regime tributário e com benefícios fiscais. Só esses tributos saem da conta; impostos sobre vendas e folha de pagamento já foram descontados antes do EBITDA 3.
- Depreciação: é a parcela do custo de um bem (uma máquina, por exemplo) que a contabilidade reconhece como desgaste a cada período. Não sai do caixa no período; o dinheiro sai na compra do bem (ou nas parcelas, se foi financiado).
- Amortização: é o mesmo raciocínio para bens que não se tocam e têm prazo de uso definido, como licenças e softwares.
Ao retirar esses itens, sobra um número mais próximo do que a atividade principal gerou. Ele facilita comparar empresas com dívidas e impostos diferentes. Mas "mais próximo" não é "igual": o limite aparece mais abaixo.
Como calcular o EBITDA
A norma da CVM parte do resultado líquido do período e soma de volta os itens citados (art. 3º, inciso I) 3:
EBITDA = lucro líquido + imposto de renda e CSLL + despesas financeiras líquidas + depreciação, amortização e exaustão
- Lucro líquido: o resultado final do período na demonstração do resultado.
- Imposto de renda e CSLL: os tributos sobre o lucro (CSLL é a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
- Despesas financeiras líquidas: despesas financeiras menos receitas financeiras, do período (art. 3º, inciso I) 3. A norma não lista quais itens entram nas despesas e receitas financeiras: vale o que a empresa apresentou na demonstração do resultado (art. 2º, § 1º) 3. Ao refazer a conta, confira na demonstração do resultado se a linha do resultado financeiro vem como receitas menos despesas; nesse caso, inverta o sinal antes de somar.
- Depreciação, amortização e exaustão: o desgaste contábil dos bens; exaustão é o termo usado para recursos naturais, como uma mina.
O LAJIR (EBIT, em inglês) é a mesma conta sem somar depreciação, amortização e exaustão (art. 3º, inciso II) 3.
Importante: pela norma, os valores usados devem constar das demonstrações contábeis, e quem divulga o cálculo precisa apresentar a conciliação com elas (art. 2º, §§ 1º e 2º) 3.
Na prática: o EBITDA de uma padaria fictícia em 2025
Considere uma empresa fictícia, a Padaria Exemplo S.A., com a demonstração do resultado do ano de 2025, em reais. Os números são inventados para ilustrar a conta.
| Item | Valor (R$) |
|---|---|
| Lucro líquido | 8.000.000 |
| Imposto de renda e CSLL | 3.000.000 |
| Despesas financeiras líquidas | 4.000.000 |
| Depreciação e amortização | 5.000.000 |
Passo a passo:
- Lucro líquido: R$ 8.000.000.
- Somando os tributos sobre o lucro: R$ 8.000.000 + R$ 3.000.000 = R$ 11.000.000. Esse é o resultado antes desses tributos.
- Somando as despesas financeiras líquidas: R$ 11.000.000 + R$ 4.000.000 = R$ 15.000.000. Esse é o LAJIR (EBIT).
- Somando depreciação e amortização: R$ 15.000.000 + R$ 5.000.000 = R$ 20.000.000 de EBITDA.
Agora um uso comum. Suponha que, em 15 de outubro de 2026, o valor de mercado da empresa (preço da ação vezes o número de ações) seja de R$ 100.000.000 e que ela tenha dívida líquida de R$ 30.000.000. Nesta conta, dívida líquida é a dívida menos o dinheiro em caixa, e o valor da firma é o valor de mercado mais a dívida líquida. São definições simplificadas, usadas só neste exemplo: versões completas ainda acrescentam itens como a participação de sócios não controladores.
- Valor da firma: R$ 100.000.000 + R$ 30.000.000 = R$ 130.000.000.
- EV/EBITDA: R$ 130.000.000 ÷ R$ 20.000.000 = 6,5 vezes.
- Dívida líquida/EBITDA: R$ 30.000.000 ÷ R$ 20.000.000 = 1,5 vez, ou seja, a dívida líquida equivale a um ano e meio de EBITDA.
Esse exemplo é uma ilustração, não uma projeção nem um retrato de empresa real. Ele também não diz se 6,5 ou 1,5 é um número bom ou ruim.
EBITDA da norma, EBITDA ajustado e LAJIR
- EBITDA conforme a norma: o cálculo direto descrito acima. No cálculo da norma, não se pode excluir nenhum item não recorrente, não operacional ou de operações descontinuadas (art. 3º) 3.
- EBITDA ajustado: a empresa pode, por escolha própria, excluir resultados de operações descontinuadas e fazer outros ajustes (art. 4º) 3. As condições são estas: o valor ajustado sai junto com o calculado pelo art. 3º (§ 1º); os ajustes só podem usar itens dos registros contábeis do período (§ 2º); a empresa descreve a natureza, o cálculo e a justificativa de cada ajuste (§ 3º); e o rótulo "ajustado" é obrigatório (art. 5º) 3. Aqui a comparação entre empresas fica mais frágil, porque cada uma escolhe seus ajustes.
- LAJIR (EBIT): resultado antes de juros e tributos sobre o lucro, mas depois da depreciação e da amortização (arts. 1º e 3º, inciso II) 3.
EBITDA, lucro líquido e fluxo de caixa: o que muda
O leitor costuma confundir EBITDA com lucro líquido e com fluxo de caixa operacional.
| Aspecto | EBITDA | Lucro líquido | Fluxo de caixa operacional |
|---|---|---|---|
| O que mede | Resultado da operação antes das despesas financeiras líquidas, dos tributos sobre o lucro, da depreciação e da amortização | Resultado final, depois de tudo | Dinheiro que entrou e saiu pela operação |
| Considera juros | Não | Sim | Depende da classificação adotada: juros pagos podem ficar na atividade operacional ou na de financiamento 4 |
| Considera depreciação | Não | Sim | Não é saída de caixa |
| Considera compra de máquinas e prédios | Não | Só pela depreciação | Não: a aquisição de imobilizado é atividade de investimento 4 |
| Aparece pronto nas demonstrações | Não, é calculado | Sim | Sim, na demonstração dos fluxos de caixa 4 |
Nenhum é "melhor": cada um responde a uma pergunta diferente.
O que o EBITDA mostra e o que ele esconde
Para que ele ajuda
- Tira do resultado o efeito da estrutura de dívida, porque as despesas financeiras líquidas são somadas de volta (art. 3º) 3. Isso ajuda a comparar empresas financiadas de formas diferentes.
- Serve de base para indicadores como EV/EBITDA e dívida líquida/EBITDA, que relacionam o preço e a dívida com o resultado operacional.
- Quando segue a norma, vem com conciliação, e o leitor consegue refazer a conta (art. 2º, § 2º) 3.
Onde ele engana
- Não é caixa. Ele não desconta os juros nem o imposto de renda e a CSLL, que a empresa paga de fato, e ignora a variação do capital de giro (o dinheiro preso em estoques e contas a receber) 34.
- Ignora os investimentos. Uma empresa que precisa renovar máquinas todo ano pode ter EBITDA alto e pouco dinheiro sobrando. Os gastos para manter a capacidade operacional aparecem na atividade de investimento do fluxo de caixa, não no EBITDA 4.
- Os ajustes variam. Dois "EBITDAs ajustados" de empresas diferentes podem não ser comparáveis, pois cada empresa justifica os seus (art. 4º, § 3º) 3.
- Depreciação é custo real, só que pago antes. Somá-la de volta não faz o desgaste desaparecer.
- Não protege contra perda. Uma empresa com EBITDA positivo pode ter prejuízo, porque juros, tributos e depreciação podem superá-lo, e quem compra ações de qualquer empresa pode perder parte ou todo o capital.
Regras da CVM para divulgar o EBITDA no Brasil
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) fiscaliza as companhias abertas e regula a divulgação do EBITDA, com base no art. 22, parágrafo único, inciso I, da Lei 6.385/1976 3. A norma vigente é a Resolução CVM 156, de 23 de junho de 2022, publicada no Diário Oficial em 24 de junho de 2022 1, em vigor desde 1º de agosto de 2022 (art. 11) 3. Ela revogou a Instrução CVM 527, de 2012 2.
Pontos da regra, conforme o texto consultado em 15 de outubro de 2026 (consulte a CVM para mudanças posteriores):
- a divulgação é voluntária 1;
- os valores partem das demonstrações contábeis, e quem divulga deve apresentar a conciliação com elas (art. 2º) 3;
- no cálculo da norma, não se pode excluir nenhum item não recorrente, não operacional ou de operação descontinuada (art. 3º) 3;
- a empresa pode divulgar a versão ajustada, com os ajustes descritos e justificados, sempre rotulada como "ajustada" e junto do valor calculado pela norma (arts. 4º e 5º) 3;
- a divulgação deve ser consistente e comparável com períodos anteriores, e mudanças precisam ser justificadas (art. 7º) 3;
- o cálculo deve ser verificado pelo auditor independente, conforme a norma de auditoria NBC TA 720 (art. 9º) 3.
Não há imposto específico sobre o EBITDA: ele é uma medida de análise, não um tributo nem um produto financeiro. Não há garantia de nenhum tipo (o FGC não se aplica).
Perguntas frequentes
EBITDA e lucro são a mesma coisa?
Não. O lucro líquido é o resultado final. O EBITDA é calculado somando de volta ao lucro as despesas financeiras líquidas, os tributos sobre o lucro, a depreciação e a amortização 3. Por isso costuma ser maior, mas não sempre: depende do sinal de cada item somado.
EBITDA é a mesma coisa que caixa?
Não. Ele é uma medida de resultado, e a CVM fala em "potencial" de geração bruta de caixa 3. Não considera os investimentos em bens da empresa, que aparecem no fluxo de investimento 4, nem os juros e os tributos sobre o lucro pagos.
As empresas são obrigadas a divulgar o EBITDA?
A divulgação é voluntária. Se a companhia aberta divulga, segue a Resolução CVM 156/2022 13.
O que é EBITDA ajustado?
É o EBITDA com ajustes que a própria empresa escolhe, descreve e justifica, como excluir resultado de operações descontinuadas. Ele precisa vir rotulado como "ajustado" e junto do valor calculado pela regra geral 3. Como os ajustes variam, a comparação entre empresas exige cuidado.
Qual a diferença entre EBITDA e EBIT?
O EBIT (LAJIR) não soma de volta a depreciação, a amortização e a exaustão 3.
Para fechar
O EBITDA mostra o resultado da operação sem o efeito das despesas financeiras, dos tributos sobre o lucro e do desgaste contábil. Por isso aparece em divulgações de empresas e em múltiplos como o EV/EBITDA. Seu principal limite é que não é caixa nem lucro: deixa de fora o que a empresa gasta para manter o negócio e o que paga de juros e de imposto sobre o lucro. Para continuar, veja [[ev-ebitda]] e [[divida-liquida-ebitda]].
Verbetes do glossário: EBITDA EV/EBITDA Dívida líquida / EBITDA P/L (preço sobre lucro) Valor de mercado
Fontes
- CVM: Resolução CVM 156/2022 (divulgação voluntária de LAJIDA e LAJIR), página da norma · consultado em 15/10/2026
- CVM: Instrução CVM 527/2012 (revogada pela Resolução CVM 156/2022), página da norma · consultado em 15/10/2026
- CVM: Resolução CVM 156/2022, texto integral (PDF) · consultado em 15/10/2026
- CVM: CPC 03 (R2), Demonstração dos Fluxos de Caixa (PDF) · consultado em 15/10/2026
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Escrito em 15/10/2026 · checado em 15/10/2026 · versão 4