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IFIX: o que é, como é montado e como ler o índice dos fundos imobiliários

O que é

O IFIX é o índice de fundos de investimentos imobiliários da B3, a bolsa brasileira. Segundo a B3, ele serve para acompanhar, em média, os preços das cotas dos fundos imobiliários negociados na bolsa e no balcão organizado 1. Ele resulta de uma carteira teórica: uma lista de fundos com pesos definidos por regra, que existe no papel e serve para medir o conjunto. Como a lista existe no papel, o índice em si não é negociado; o que existe são produtos que o usam como referência (veja a seção sobre IFIX L e produtos ligados).

Um fundo de investimento imobiliário (FII) reúne a aplicação de vários investidores em empreendimentos imobiliários 5. Pela regra da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), as classes de cotas do FII são constituídas em regime fechado 8. As cotas que entram no IFIX são as negociadas na bolsa e no balcão organizado 1; ali, a saída do investidor passa pela venda da cota. Veja Fundos imobiliários (FIIs): o que são, como funcionam e como são tributados. O IFIX junta essas cotas num único número, de forma parecida com o que o Ibovespa faz com ações.

Segundo a B3, o IFIX foi lançado em 2012 4. Ele é medido em pontos: o que importa é a variação entre duas datas, não o valor isolado.

Como funciona

A B3 publica uma metodologia com as regras de montagem da carteira. Em 24 de outubro de 2026, a versão aberta no site era datada de 7 de julho de 2020, e ela remete a um manual geral de índices para os detalhes 1. O mecanismo tem quatro partes.

Quem entra

Os ativos elegíveis são as cotas de FIIs listadas na bolsa e no balcão organizado 1. Para entrar, a cota precisa cumprir, ao mesmo tempo, três critérios 1:

  • estar no grupo de cotas que, somadas, chegam a 95% do Índice de Negociabilidade (IN) nas três carteiras anteriores, da maior para a menor. O IN é calculado pela B3 a cada pregão, a partir da fatia de negócios e do volume financeiro do ativo no mercado à vista, e depois é feita a média do período 7;
  • ter presença em pregão de 95% no período das três carteiras anteriores, isto é, ter sido negociada em quase todos os dias 1;
  • não ser penny stock. No manual da B3, são assim chamados os ativos cujo valor médio ponderado, durante a vigência da carteira anterior, ficou abaixo de R$ 1,00 7.

Há uma exceção para cotas de ofertas públicas recentes: elas podem entrar sem ter ficado listadas o período inteiro, desde que a oferta seja anterior ao rebalanceamento anterior, que haja 95% de presença desde o início da negociação e que cumpram os demais critérios 1.

Quem sai

Saem da carteira as cotas que deixam de cumprir algum dos critérios e as que são totalmente resgatadas pelo fundo enquanto a carteira está em vigor 1.

Como cada fundo pesa

O peso de cada fundo vem do seu valor de mercado: o preço da cota multiplicado pelo número total de cotas do fundo 1. Fundo maior pesa mais. Nenhum fundo pode passar de 20% da carteira, na entrada ou nas reavaliações periódicas. Se passar, a B3 reduz o peso ao limite e reparte o excesso entre os demais, de modo proporcional 1.

Retorno total

A B3 classifica o IFIX como índice de retorno total 1. Esse tipo de índice tenta refletir não só a variação dos preços dos ativos, mas também o efeito dos proventos distribuídos 7. No caso do IFIX, isso inclui a distribuição de rendimentos dos fundos 3. A lei obriga o fundo a distribuir ao menos 95% dos lucros apurados em regime de caixa, com balanço semestral 6. Por isso, a leitura do índice muda bastante conforme se olhe só o preço ou o retorno total (veja a seção seguinte).

A conta: preço, rendimento e peso

Há duas contas simples por trás do índice.

Peso de um fundo antes do teto:

peso = valor de mercado do fundo ÷ soma do valor de mercado de todos os fundos da carteira

Variação do índice de retorno total em um período:

retorno total ≈ variação do preço das cotas + rendimentos distribuídos no período (ambos em % sobre o preço do início)

A segunda é uma aproximação para ilustrar a ideia. A B3 detalha o cálculo oficial no manual de índices, que este artigo não reproduz 7.

Na prática: um índice com sete fundos e um mês de rendimentos

Os números abaixo são hipotéticos. Não correspondem a nenhum fundo nem ao IFIX real.

Passo 1: o peso e o teto. Imagine uma carteira com sete fundos. O fundo A vale R$ 3 bilhões em cotas, e os outros seis valem R$ 1 bilhão cada. O total é de R$ 9 bilhões.

  1. Peso do fundo A: R$ 3 bi ÷ R$ 9 bi = 33,3%.
  2. Peso de cada um dos outros: R$ 1 bi ÷ R$ 9 bi = 11,1%.
  3. Como o teto é de 20% 1, o fundo A é ajustado para 20%. O excesso é de 33,3% − 20% = 13,3 pontos percentuais.
  4. Esse excesso é repartido entre os seis demais, que têm pesos iguais: 13,3 ÷ 6 = 2,2 pontos para cada um 1.
  5. Cada um dos seis passa a pesar 11,1% + 2,2% = 13,3%. Conferência: 20% + 6 × 13,3% = 100%.

Passo 2: preço contra retorno total. Suponha que o índice abra o mês em 3.000 pontos e que, naquele mês, as cotas caiam em média 1,0%, enquanto os fundos distribuam em média 0,8% do preço das cotas.

  1. Só pelo preço: 3.000 × (1 − 0,010) = 2.970 pontos, queda de 1,0%.
  2. Com os rendimentos: 3.000 × (1 − 0,010 + 0,008) = 3.000 × 0,998 = 2.994 pontos, queda de 0,2% 13.

A diferença de 0,8 ponto percentual vem dos rendimentos. Por isso, olhar só o gráfico de preço das cotas dá uma visão incompleta de um índice de retorno total. Ao mesmo tempo, o índice pode cair mesmo com rendimentos: ele não promete retorno positivo. É uma ilustração do mecanismo, não uma projeção.

IFIX, IFIX L e produtos ligados

O IFIX tem um subíndice, um contrato futuro e ETFs que o tomam como referência.

NomeO que éDado da B3
IFIXCarteira teórica de FIIs da bolsa e do balcão organizadoRetorno total; 95% do IN e 95% de presença nas 3 carteiras anteriores 1
IFIX LÍndice de FIIs de alta liquidez, lançado em 22 de fevereiro de 2021Na estreia, reunia 51 FIIs; entre os critérios de inclusão está pertencer ao IFIX 4
Futuro de IFIXContrato futuro que tem o IFIX como objetoCódigo XFI; R$ 10,00 por ponto; vencimento na 3ª sexta-feira dos meses pares; liquidação financeira 3

Na conta do contrato futuro: se o índice variar 100 pontos, o valor de um contrato varia R$ 1.000,00 (100 × R$ 10,00) 3. A B3 descreve o contrato como um instrumento para negociar expectativas sobre o mercado de fundos imobiliários e para proteção (hedge) contra a exposição em renda variável 3. Contratos futuros têm riscos próprios e não são tema deste artigo. Em dezembro de 2020, a B3 noticiou o primeiro ETF de fundos imobiliários, que replica o IFIX; quem compra suas cotas fica exposto à carteira do índice, com taxas e riscos do próprio ETF 12.

IFIX ou Ibovespa: o que muda

Os dois são índices da B3, mas medem coisas diferentes. A tabela compara o que cada um reúne, sem dizer qual serve melhor.

PontoIFIXIbovespa
O que reúneCotas de fundos imobiliários 1Ações e units de companhias listadas na B3 que cumprem os critérios da metodologia 10 (veja Ibovespa)
Ponderação do IFIXValor de mercado do fundo, com teto de 20% por fundo 1Veja Ibovespa
Tipo do IFIXRetorno total 1Veja Ibovespa

Por reunir só um tipo de fundo, o IFIX concentra o desempenho do mercado de FIIs e não diz nada sobre o das ações como um todo.

O que o IFIX mostra e o que ele não mostra

O que ele ajuda a entender

  • Dá uma medida única do comportamento médio dos FIIs negociados, em vez de olhar fundo por fundo 1.
  • Por ser de retorno total, inclui a distribuição de rendimentos e não só a variação do preço 3.
  • Usa critérios públicos de inclusão e exclusão, que permitem saber por que um fundo está ou não na carteira 1.

O que ele não mostra

  • Média esconde diferenças. Um fundo da carteira pode subir enquanto outro cai. O índice não diz nada sobre um fundo específico. Os detalhes de cada FII estão no regulamento e nos documentos do próprio fundo.
  • Peso maior, influência maior. Como a ponderação é por valor de mercado, os fundos grandes mexem mais no índice, até o teto de 20% 1.
  • Carteira teórica. O índice é calculado a partir de preços e proventos 7. Ele não descreve a situação de um investidor real, que paga as próprias taxas e impostos e depende de haver comprador ou vendedor para a cota.
  • Possível perda de capital. O preço das cotas muda a cada pregão, e quem investe em FIIs pode perder parte do dinheiro aplicado. O IFIX acompanha essa oscilação, sem proteção. Como as cotas são de regime fechado 8, a saída depende de haver comprador na bolsa.
  • Regras mudam. A B3 pode alterar a metodologia, e o resultado de um período depende da carteira vigente nele. Regra descrita em 24 de outubro de 2026 a partir do documento de 7 de julho de 2020 1.
  • Passado não é projeção. Variação passada do índice não indica a futura.

Regras e quem fiscaliza no Brasil

O IFIX é um produto da B3, que define e publica a metodologia 12. Os fundos que o compõem são regulados pela CVM; a base legal é a Lei 8.668/1993, e o regulamento atual é o Anexo Normativo III da Resolução CVM 175/2022 68. O Portal do Investidor confirma que o funcionamento do fundo e a oferta de cotas dependem de registro prévio na CVM 5. Esse anexo diz que o FII se destina à aplicação em empreendimentos imobiliários (art. 2º) e que suas classes de cotas são em regime fechado (art. 3º). Pelo art. 6º, as ofertas públicas voluntárias de aquisição de cotas seguem as regras da entidade administradora do mercado organizado em que as cotas são negociadas 8.

O índice é uma carteira teórica 1; os produtos que o usam como referência (futuro e ETFs) têm regras e custos próprios. A tributação recai sobre quem investe nos fundos. Em 24 de outubro de 2026, a Receita Federal e a Lei 8.668/1993, art. 18, indicavam alíquota de 20% sobre o ganho na venda de cotas de FII 69. A proposta de reduzir essa alíquota a 17,5% (Medida Provisória 1.303/2025) não virou lei, segundo nota do Ipea de fevereiro de 2026, e a Lei 15.270/2025 tratou de outros tributos 11. Na bolsa, o cálculo e o pagamento seguem a regra das ações 9. O art. 10, parágrafo único, da mesma lei manda distribuir no mínimo 95% dos lucros apurados pelo regime de caixa, com balanço semestral 6. A tributação dos rendimentos está no artigo Fundos imobiliários (FIIs): o que são, como funcionam e como são tributados; regra em vigor em 24 de outubro de 2026, consulte a fonte para mudanças.

Perguntas frequentes

O que é o IFIX?

É o índice da B3 que acompanha, em média, os preços das cotas dos fundos imobiliários negociados em bolsa e balcão organizado, medido numa carteira teórica 1.

Quantos fundos fazem parte do IFIX?

O número varia conforme os critérios de inclusão e as reavaliações periódicas da carteira 1. A notícia da B3 sobre o IFIX L, de fevereiro de 2021, citava 87 ativos no IFIX 4; é um dado antigo. A composição vigente fica no site da B3.

O IFIX inclui os rendimentos dos fundos?

Sim. A B3 o define como índice de retorno total, e o futuro de IFIX é descrito como baseado em um critério que considera a distribuição de rendimentos 13.

Dá para investir no IFIX diretamente?

O índice em si é uma carteira teórica e não é negociado 1. A B3 tem produtos que o usam como referência: o contrato futuro de IFIX, código XFI 3, e ETFs (fundos de índice negociados em bolsa) de fundos imobiliários, como o que a B3 noticiou em dezembro de 2020 12. Quais existem hoje deve ser conferido na B3. Cada produto tem riscos, custos e regras próprios, e seu resultado pode diferir do índice.

Qual a diferença entre IFIX e IFIX L?

O IFIX L é um índice de FIIs de alta liquidez, lançado em 22 de fevereiro de 2021 e ligado ao IFIX 4. Ele reúne menos fundos, só os de maior negociação.

Para fechar

O IFIX transforma o conjunto dos fundos imobiliários negociados em bolsa em um número de retorno total, com critérios públicos de entrada, peso por valor de mercado e teto de 20% por fundo. Ele ajuda a ler o setor, mas é uma média: não descreve nenhum fundo e acompanha as perdas do mercado, sem proteção. Para entender o veículo, veja Fundos imobiliários (FIIs): o que são, como funcionam e como são tributados; para os dois grandes tipos de carteira de FII, veja FIIs de tijolo, de papel e fundos de fundos: o que são, como diferem e quais riscos cada um tem.

Verbetes do glossário: Ibovespa

Fontes

  1. B3: Metodologia do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX), 7 de julho de 2020 (PDF) · consultado em 24/10/2026
  2. B3: Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX), página do índice · consultado em 24/10/2026
  3. B3: Futuro de IFIX · consultado em 24/10/2026
  4. B3: Lançamento do Índice de FII de Alta Liquidez (IFIX L) · consultado em 24/10/2026
  5. Portal do Investidor (CVM): Fundos de Investimentos Imobiliários (FII) · consultado em 24/10/2026
  6. Lei 8.668, de 25 de junho de 1993, arts. 10 e 18 (cópia no ANTTlegis; o texto do Planalto não abriu) · consultado em 24/10/2026
  7. B3: Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3, setembro de 2025 (PDF), itens 1.2, 1.4 e 1.5 · consultado em 24/10/2026
  8. CVM: Resolução CVM 175/2022, Anexo Normativo III (Fundos de Investimento Imobiliário), arts. 2º, 3º e 6º · consultado em 24/10/2026
  9. Receita Federal: Fundos de Investimento no Brasil (renda variável), página atualizada em 04/06/2024 · consultado em 24/10/2026
  10. B3: Ibovespa, página do índice · consultado em 24/10/2026
  11. Ipea: Carta de Conjuntura nº 70, Nota 8, 1º trimestre de 2026 (tributação do capital e a Lei 15.270/2025) · consultado em 24/10/2026
  12. B3: ETF de Fundos Imobiliários (notícia de 01/12/2020) · consultado em 24/10/2026
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Escrito em 24/10/2026 · checado em 24/10/2026 · versão 4