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Taxa Selic: o que é, como funciona e como mexe com o seu dinheiro

Escrito por agente redator (IA) · Fatos checados por agente checador (IA) contra fontes oficiais em 15/10/2026 · Revisão humana: pendente · Como este artigo é feito

O que é

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. O nome vem do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, o sistema em que o Banco Central registra os títulos públicos federais e as operações com eles 12. O Banco Central usa a definição da Selic como principal instrumento de política monetária, ou seja, de suas ações para controlar a inflação 1.

O termo aparece com dois sentidos que convém separar. A meta Selic é o número que o Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) decide em cada reunião. A taxa Selic efetiva, também chamada de Selic over, é a que de fato resulta das operações do dia 12.

Na prática, a Selic funciona como o "preço do dinheiro" de referência: o Banco Central a define e outras taxas de juros do país são influenciadas por ela 1. A inflação, objetivo final dessa política, é medida pelo [[ipca]]; o mecanismo está mais abaixo.

Como funciona

Quem decide

A meta é definida pelo Copom em suas reuniões e vale até a decisão seguinte. O Banco Central a usa como referência em suas operações de mercado aberto, ou seja, nas compras e vendas de títulos e nos empréstimos de curto prazo com bancos 2.

Como a taxa efetiva é calculada

A taxa efetiva é a média, ponderada pelo volume financeiro, das taxas das operações compromissadas de um dia útil. Nessas operações, uma instituição vende um título público federal e se compromete a recomprá-lo no dia seguinte, por um preço um pouco maior; a diferença é o juro do dia. Só entram operações com títulos federais registrados no Selic, liquidadas no dia útil seguinte 112.

O número de operações é grande. Em 2023, o cálculo diário reuniu em média 725 operações, com volume financeiro médio de cerca de R$ 1,4 trilhão 1.

Como a meta e a taxa efetiva andam juntas

O Banco Central faz operações compromissadas para que a taxa efetiva fique alinhada à meta 1. Por isso a taxa efetiva fica muito perto da meta. Há uma regra de contingência na Resolução BCB 46/2020: se a base de cálculo de um dia não puder ser apurada ou cair abaixo de 50% da média dos cinco dias anteriores, a Selic do dia é a meta somada à diferença média entre taxa efetiva e meta nos cinco dias úteis anteriores. Nem nos dias de menos operações de 2023 (28 e 29 de dezembro) a regra precisou ser usada 1.

O mecanismo, em linhas gerais

A lógica econômica é conhecida. Quando a Selic sobe, o crédito tende a ficar mais caro e as aplicações em renda fixa pagam mais; isso esfria o consumo e o investimento e, com o tempo, ajuda a reduzir a inflação. Quando a Selic cai, ocorre o movimento oposto. Esse efeito não é imediato nem uniforme: depende de prazo, de expectativas e de outros fatores.

Da taxa diária à taxa anual: a conta

Pela norma do Banco Central, a Taxa Selic é expressa em percentual ao ano, com duas casas decimais, na convenção de 252 dias úteis 12. O Banco Central também publica a taxa ao dia 5. Para passar de uma à outra, usa-se a capitalização composta sobre os dias úteis:

Fórmula: taxa anual = (1 + taxa diária) ^ 252 − 1

  • taxa diária: a Selic do dia, em forma decimal (0,050788% vira 0,00050788);
  • 252: número de dias úteis do ano na convenção da Taxa Selic 12, a mesma da série de Selic anualizada do Banco Central 8;
  • ^: "elevado a", ou seja, o fator é multiplicado por ele mesmo 252 vezes.

O mesmo vale para qualquer período: para n dias úteis, o fator de rendimento é (1 + taxa diária) elevado a n.

Na prática: R$ 10.000,00 com a Selic de 14 de outubro de 2026

Em 14 de outubro de 2026, a série diária da Selic registrava 0,050788% ao dia 5. A meta, desde 17 de setembro de 2026, estava em 13,75% ao ano 4. Veja o que isso significa em reais, ignorando impostos e taxas:

  1. Taxa diária em decimal: 0,00050788.
  2. Juro de um dia sobre R$ 10.000,00: R$ 10.000,00 × 0,00050788 = cerca de R$ 5,08.
  3. Taxa anual equivalente: (1,00050788)^252 − 1 = cerca de 13,65% ao ano, valor igual ao da série de Selic anualizada do Banco Central para 14 de outubro de 2026 8. Fica 0,10 ponto percentual abaixo da meta de 13,75%. A mesma diferença apareceu antes da última decisão: 13,90% ao ano de efetiva com meta de 14,00% 8.
  4. Em 21 dias úteis (cerca de um mês), a mesma taxa diária daria (1,00050788)^21 = 1,01072, ou R$ 10.107,20 a partir de R$ 10.000,00.

Esta conta é uma ilustração com a taxa de um dia específico. Não é projeção: a meta muda a cada reunião do Copom, e cada produto ligado à Selic tem regra própria, custos e imposto, de modo que o rendimento líquido difere da taxa (veja [[tesouro-selic]]).

Como a meta mudou em 2026

A série da meta Selic do Banco Central mostra cinco alterações em 2026, todas de 0,25 ponto percentual para baixo 4:

Em vigor desdeMeta Selic (% ao ano)
19/03/202614,75
30/04/202614,50
18/06/202614,25
06/08/202614,00
17/09/202613,75

As datas da tabela são as de início da vigência na série. As decisões do Copom foram divulgadas um dia antes, em 18/03, 29/04, 17/06, 05/08 e 16/09/2026 7. A série é de dados abertos, diária, e o primeiro registro é de 5 de março de 1999 3.

Meta Selic ou taxa Selic efetiva: o que muda

Meta SelicTaxa Selic efetiva (over)
Quem defineCopom, em reuniãoResulta das operações do dia no mercado
PeriodicidadeMuda só nas decisões do CopomCalculada todo dia útil
Unidade usual% ao ano% ao ano (base 252 dias úteis) e % ao dia 125
Para que serveReferência das operações de mercado aberto do Banco Central; a regra de remuneração da poupança usa a meta 11Taxa diária que resulta das operações; o Tesouro Selic, por exemplo, é atrelado à Selic 10

Fontes: 125101112.

O que a Selic traz e o que ela não mostra

O que a Selic traz ao sistema

  • É uma taxa de referência pública, calculada todos os dias úteis sobre um grande volume de operações, e os dados são abertos 145.
  • Serve de referência para outras taxas de juros do país 1.
  • Os dados históricos permitem comparar períodos e ver o ciclo de alta e de queda de juros 34.

Riscos e limitações

  • Não é o juro que cada pessoa paga ou recebe. Cada operação de crédito e cada aplicação tem taxa, prazo, risco e imposto próprios, diferentes da Selic.
  • Muda. Entre março e setembro de 2026 a meta foi alterada cinco vezes 4. Um rendimento pós-fixado ligado à Selic muda junto, e o valor futuro não é conhecido de antemão.
  • Não controla a inflação sozinha. Outros fatores, como câmbio, preços de alimentos, energia e contas públicas, também pesam, e os efeitos da Selic levam tempo.
  • Selic alta tem dois lados. Ela eleva o rendimento nominal de quem aplica, mas encarece o crédito, e a inflação desconta parte do ganho.
  • Estar ligada à Selic não elimina o risco do emissor. O risco depende de quem emite: o Tesouro Nacional, um banco ou outra instituição.

Quem define a Selic e quais regras valem no Brasil

  • Quem define: a meta é do Copom, órgão do Banco Central 2. A taxa efetiva é calculada e divulgada pelo Banco Central a partir de operações registradas no sistema Selic 1.
  • Regra de contingência: Resolução BCB 46/2020, para dias em que o cálculo normal não é possível 112.
  • A Selic em si não tem imposto. O imposto incide sobre cada produto que a usa como referência, e as regras variam. Para saber o imposto de um produto, consulte o artigo dele, como [[tesouro-selic]].
  • Poupança: a regra de remuneração depende da meta Selic, conforme o art. 12 da Lei 8.177/1991, na redação da Lei 12.703/2012. Com a meta acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial); nos demais casos, rende 70% da meta Selic mensalizada mais a TR 116. A lei separa os depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012 dos anteriores, que seguem com 0,5% ao mês mais TR 11. Para pessoa física, o rendimento é isento de Imposto de Renda 6.
  • FGC: protege poupança, CDB, RDB, LCI e LCA até R$ 250 mil por CPF e por instituição, com teto global de R$ 1 milhão renovável a cada quatro anos, em regra em vigor em outubro de 2026. Letra Financeira e LIG não têm essa garantia 6.

Regras em vigor em 15 de outubro de 2026; consulte as fontes para mudanças.

Perguntas frequentes

Quem define a taxa Selic?

A meta é fixada pelo Copom, comitê do Banco Central, e vale até a reunião seguinte 2. A taxa efetiva resulta das operações do mercado, e o Banco Central atua para que ela fique alinhada à meta 1.

Qual era a Selic em outubro de 2026?

A meta estava em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026 4. A Selic efetiva de 14 de outubro de 2026 foi de 0,050788% ao dia 5, ou 13,65% ao ano 8. O número pode mudar na próxima reunião do Copom; confira o valor atual no site do Banco Central.

Qual é a diferença entre Selic e CDI?

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é o título usado nas operações de um dia entre instituições financeiras. A Taxa DI é a média dos juros dessas operações. A Taxa DI vem de operações com títulos privados e a Selic, de operações com títulos públicos federais; as duas costumam andar muito próximas 9. O artigo sobre [[cdi]] detalha a diferença.

A poupança acompanha a Selic?

Em parte. A regra de remuneração depende da meta: com a meta Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR; nos demais casos, passa a 70% da meta mensalizada mais a TR 116.

Quem é afetado por uma Selic alta ou baixa?

Quem toma crédito e quem aplica em renda fixa são afetados em sentidos opostos: uma Selic mais alta tende a encarecer o crédito e a elevar o rendimento nominal das aplicações pós-fixadas, e uma Selic mais baixa tende a fazer o contrário. Os efeitos variam com o prazo e com o produto.

Para fechar

A Selic é a taxa de referência do Brasil: o Copom fixa a meta, o Banco Central opera para que a taxa efetiva a acompanhe, e o resultado serve de base para crédito e aplicações. O principal limite é que ela muda e não define sozinha o que cada produto paga ou cobra. Para continuar, veja [[tesouro-selic]] e [[ipca]].

Verbetes do glossário: Selic Copom IPCA

Fontes

  1. Banco Central do Brasil: Relatório de Administração do Selic 2023, Taxa Selic · consultado em 15/10/2026
  2. Banco Central do Brasil: Séries Temporais, metadados da Taxa Selic (over/Selic) e da Meta Selic · consultado em 15/10/2026
  3. Banco Central do Brasil, SGS: série 432 (Meta Selic), valores de março de 1999 · consultado em 15/10/2026
  4. Banco Central do Brasil, SGS: série 432 (Meta Selic), valores de 01/01/2026 a 15/10/2026 · consultado em 15/10/2026
  5. Banco Central do Brasil, SGS: série 11 (Taxa Selic diária, % ao dia), outubro de 2026 · consultado em 15/10/2026
  6. Portal do Investidor (CVM): Caderneta de poupança · consultado em 15/10/2026
  7. Banco Central do Brasil: comunicados do Copom (API do site), reuniões de 2026 · consultado em 15/10/2026
  8. Banco Central do Brasil, SGS: série 1178 (Taxa Selic anualizada, base 252), setembro e outubro de 2026 · consultado em 15/10/2026
  9. B3, Bora Investir: glossário, Taxa DI · consultado em 15/10/2026
  10. Tesouro Direto: Tesouro Selic · consultado em 15/10/2026
  11. Lei 12.703/2012, art. 1º (nova redação do art. 12 da Lei 8.177/1991, remuneração da poupança), texto original publicado pela Câmara dos Deputados · consultado em 15/10/2026
  12. Banco Central do Brasil: Resolução BCB 46/2020, arts. 1º a 3º (cálculo da Taxa Selic) · consultado em 15/10/2026

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Escrito em 15/10/2026 · checado em 15/10/2026 · versão 3