Tabuleiro TropicalSala de situação do Brasil

Swap e NDF: o que são, como funcionam e por que aparecem nas notícias do Banco Central

O que é

Derivativo é um contrato cujo valor depende do preço de outra coisa, como o dólar, uma taxa de juros ou um índice de preços. Swap e NDF são dois derivativos negociados fora da bolsa, no chamado mercado de balcão, em que as partes combinam as condições entre si.

Swap (palavra inglesa para "troca") é um contrato em que duas partes trocam a rentabilidade de dois indexadores. Na descrição da B3, cada parte fica com uma ponta oposta à da outra: comprada num indexador e vendida no outro. O dinheiro que muda de mãos depende de qual deles rendeu mais no período 2. Quem está posicionado no indexador que rendeu mais recebe a diferença.

NDF vem de Non-Deliverable Forward. É um contrato a termo sem entrega física da moeda 7. "A termo" quer dizer que as partes fixam hoje uma taxa de câmbio para uma data futura 7. "Sem entrega" quer dizer que, no vencimento, os dólares (ou outra moeda) não trocam de mãos: as partes só acertam a diferença entre a taxa combinada e a taxa de referência. O Banco Central descreve os NDFs como o instrumento mais usado por investidores estrangeiros para obter exposição ao real, que não é conversível no exterior, em contratos negociados fora do país 7.

No balcão brasileiro, o NDF de moeda é o termo de moedas da B3, que a própria bolsa apresenta como "Termo de Moeda (FX NDF)" 9. No vencimento, apura-se a diferença entre a taxa a termo contratada e a taxa de mercado de referência, aplicada ao valor de referência do contrato 4. A liquidação é financeira, pela diferença entre o preço apurado na data de referência e o preço acordado 9.

Os dois aparecem nas notícias porque o Banco Central do Brasil usa uma versão do swap, o swap cambial, para atuar no mercado de câmbio 1.

Como funciona o swap

Cada ponta do swap é ligada a um indexador. A B3 cita como exemplos a inflação (IPCA e IGP-M), os juros (CDI, pré-fixada, Selic e TJLP), ações (Ibovespa e IBrX-50) e moedas (dólar, euro e iene) 2. Tamanho e vencimento são combinados livremente entre as partes 2.

A B3 descreve o swap como a troca do resultado líquido das diferenças entre dois fluxos de rendimentos 2. Na prática, só essa diferença é liquidada.

A B3 registra swaps na modalidade com garantia: a câmara de compensação faz a liquidação financeira e a B3 atua como contraparte central, o que reduz o risco de crédito entre as partes 2. A página do swap descreve só essa modalidade; para outras formas de registro, consulte o regulamento da B3.

O swap cambial do Banco Central

O Banco Central faz leilões de swap cambial para favorecer o funcionamento regular do mercado de câmbio e oferecer proteção (hedge) aos agentes econômicos 1. Há duas versões:

  • Swap cambial tradicional: o Banco Central compra o contrato e fica com posição passiva na variação do câmbio e ativa na taxa Selic. Quem vende o contrato recebe a variação do dólar e paga a Selic 1.
  • Swap reverso: o Banco Central vende o contrato e inverte as posições: fica ativo na variação do câmbio e passivo na Selic 1. A contraparte, então, paga a variação cambial e recebe a Selic.

Um estudo do próprio Banco Central, de 2016, explica que, nesse tipo de operação, o Banco Central e a contraparte não trocam dólares nem o valor-base do contrato: só o resultado é pago em reais. Por isso o swap não altera diretamente o nível das reservas cambiais 8. A descrição se refere aos leilões de 2011 a 2015 8.

O valor financeiro médio mensal dos swaps tradicionais foi de cerca de US$ 14,1 bilhões em 2024, contando só os meses com leilão, contra US$ 15,5 bilhões em 2023: uma queda de cerca de 9% 1. São dados do Relatório do Selic 2024, a edição consultada em 24 de outubro de 2026.

Como funciona o NDF

O NDF tem quatro elementos: o valor em moeda estrangeira, a taxa de câmbio combinada (a "taxa a termo"), a data de vencimento e a taxa de referência usada para liquidar.

No termo de moedas da B3, a referência vem do Banco Central: o boletim T1, que corresponde à PTAX venda. Na modalidade com garantia, a taxa é observada no dia anterior à data de liquidação 4.

A PTAX é a taxa de câmbio de referência do Banco Central. Pela Resolução BCB 45/2020, em vigor desde 1º de janeiro de 2021, o Banco Central faz quatro consultas por dia, de dois minutos cada, a instituições que atuam no câmbio. Em cada consulta, as duas maiores e as duas menores cotações são descartadas, e a taxa da consulta é a média das demais. A PTAX diária é a média aritmética das taxas das consultas 3.

A B3 lista como ativos do termo de moedas dólar, euro e iene contra o real, e euro contra dólar. O valor base mínimo é de 1.000 unidades da moeda indicada pela B3 para cada par: dólar para dólar/real e euro/dólar, euro para euro/real e iene para iene/real. O prazo vai de 2 dias úteis a 5.580 dias corridos, livremente pactuado 4. Na modalidade com garantia, a B3 é contraparte central e exige depósito prévio de ativos como margem, conforme o regulamento 4. A B3 também oferece o termo de moeda em balcão sem contraparte central, modalidade que, segundo a ficha do produto, dispensa ajuste diário e depósito de margem 9. Nesse caso, o risco de crédito fica entre as partes.

A conta do NDF

Para o comprador de dólar a termo:

Resultado = (taxa de referência no vencimento − taxa combinada) × valor em dólares

Se o resultado for positivo, o vendedor paga ao comprador. Se for negativo, o comprador paga ao vendedor. Essa é a lógica da liquidação pela diferença 4. Imposto e custos ficam de fora desta conta.

Note o que a fórmula mostra: o valor em jogo cresce com o tamanho do contrato e com a distância entre as duas taxas. Para quem comprou dólar a termo, a perda tem um limite matemático: o dólar não cai abaixo de zero, então a perda máxima seria a taxa combinada vezes o valor em dólares (no exemplo a seguir, R$ 5,50 × 100.000 = R$ 550.000). O ganho, em contrapartida, não tem limite, porque a taxa pode subir sem teto. Para quem vendeu dólar a termo, é o inverso: o ganho é limitado e a perda teórica não tem limite, se a moeda subir muito.

Na prática: um NDF hipotético de US$ 100.000

Este exemplo é inventado para ilustrar e não usa cotação real. Suponha que, em 28 de outubro de 2026, uma importadora combine um NDF de US$ 100.000, com taxa a termo de R$ 5,50 e vencimento em 90 dias, em 26 de janeiro de 2027. Ela quer saber de antemão quanto o dólar vai custar.

  • Cenário A: no vencimento, a PTAX é R$ 5,80. A diferença é R$ 0,30 por dólar. Resultado: 0,30 × 100.000 = R$ 30.000 a favor da importadora. Ela paga o dólar mais caro no mercado, e o NDF compensa.
  • Cenário B: no vencimento, a PTAX é R$ 5,30. A diferença é −R$ 0,20. Resultado: −0,20 × 100.000 = R$ 20.000 a pagar. Ela compra o dólar mais barato, e o NDF devolve essa vantagem.

Para simplificar, o exemplo usa a PTAX do vencimento; na modalidade com garantia, a observada é a do dia anterior à liquidação 4. Nos dois casos, o custo efetivo da empresa fica perto da taxa de R$ 5,50. Esse é o objetivo da proteção: trocar a incerteza por um custo conhecido. Os números são ilustração, não projeção de câmbio.

Swap e NDF: o que muda

PontoSwapNDF (termo de moedas)
O que é trocadoA rentabilidade de dois indexadores (juros, dólar, inflação, índices) 2Uma taxa de câmbio combinada hoje contra a taxa de referência no vencimento 4
LiquidaçãoDiferença financeira entre as pontas 2Diferença financeira entre a taxa contratada e a de mercado 4
Onde é registradoBalcão, com modalidade com garantia da B3 2Balcão, com modalidade com garantia da B3 4 ou sem contraparte central 9
Prazo e tamanhoLivremente combinados 2Livremente pactuados, com mínimo de 1.000 unidades da moeda indicada para cada par 4

Vantagens, riscos e limitações

O que esses contratos oferecem

  • Proteção (hedge): empresa com dívida ou receita em dólar pode reduzir o efeito de uma oscilação da moeda sobre suas contas.
  • Contrato sob medida: valor, prazo e indexador são negociados entre as partes 24.
  • Liquidação pela diferença: no termo de moedas, a liquidação é financeira, pela diferença 4. Na modalidade com garantia, há depósito de margem 4; na sem contraparte central, a ficha da B3 não prevê esse depósito 9.

O que esses contratos arriscam

  • Perda financeira: o resultado pode ser negativo, como no cenário B do exemplo. A B3 descreve o contrato futuro de dólar, parente desses contratos, como instrumento que serve tanto para proteção quanto para especulação e alavancagem 5. Usado para especular, e não para se proteger, o derivativo expõe a uma perda que pode ser grande (limites na seção da conta).
  • Risco de contraparte: quando a outra parte deixa de pagar, a perda é de quem ia receber. No balcão, as partes negociam livremente as características do contrato, e cada uma depende de a outra cumprir o que foi combinado 7. A B3 informa que a modalidade com garantia, com a B3 como contraparte central, reduz esse risco 24; no balcão sem contraparte central, ele permanece com as partes 9.
  • Proteção que também tira ganho: no exemplo acima, se o dólar cair, o NDF cobra a diferença. A proteção funciona nos dois sentidos.
  • Margem: na modalidade com garantia, a B3 exige depósito prévio de ativos, o que imobiliza recursos 4.
  • Complexidade: cláusulas, indexadores e referências de cálculo exigem leitura atenta do contrato.

Registro, órgãos e o que ficou de fora

A Lei 12.543/2011 alterou a Lei 6.385/1976 (a lei do mercado de valores mobiliários) e fixou que o registro de certos contratos derivativos, os previstos na lei, em câmara ou prestador de serviço de registro autorizado pelo Banco Central ou pela CVM é condição de validade, para contratos celebrados a partir da Medida Provisória 539/2011 6. A mesma lei prevê que o Conselho Monetário Nacional (CMN) pode estabelecer condições específicas para negociar derivativos, para fins de política monetária e cambial 6. A B3 oferece o registro de swaps e termos de moedas com garantia 24, e o Banco Central usa o swap cambial como instrumento próprio no câmbio 1.

Este artigo não trata da tributação de swap e NDF nem das normas de câmbio que se aplicam a cada tipo de contratante. Essas regras dependem do tipo de contribuinte e da finalidade do contrato, e mudam com o tempo; consulte a Receita Federal e o Banco Central.

Perguntas frequentes

NDF e contrato futuro de dólar são a mesma coisa?

Não. Os dois fixam uma taxa para o futuro, mas o contrato futuro de dólar da B3 tem especificações padronizadas (tamanho de US$ 50.000, vencimento no primeiro dia útil do mês, liquidação financeira) 5. O termo de moedas é registrado no balcão, com prazo e tamanho pactuados entre as partes 4. Veja Contrato futuro de dólar e minidólar: o que é, como funciona e quais os riscos.

Swap é só coisa do Banco Central?

Não. O Banco Central é um dos participantes mais citados nas notícias, mas o swap é um tipo de contrato que a B3 registra para vários indexadores de inflação, juros, ações e moedas 2.

O que é PTAX?

É a taxa de câmbio de referência calculada e divulgada pelo Banco Central. Pela Resolução BCB 45/2020, vem de quatro consultas diárias a instituições que atuam no câmbio, e a taxa do dia é a média aritmética das taxas das consultas 3.

Swap cambial é o Banco Central vendendo dólar?

Não no sentido de entregar dólares. Segundo um estudo do próprio Banco Central, nessa operação não há troca de dólares nem do valor-base do contrato; o que se paga, em reais, é o resultado 8. No swap cambial tradicional, o Banco Central fica passivo na variação do câmbio e ativo na Selic, e a contraparte faz o inverso 1. Isso difere de um leilão de dólares à vista, que é a compra ou a venda de dólares em troca de reais 8.

Para fechar

Swap e NDF são contratos de balcão que transformam incerteza em um valor combinado: o primeiro troca o rendimento de dois indexadores, o segundo fixa uma taxa de câmbio futura e se liquida pela diferença. Servem a quem quer se proteger de uma variação, mas também podem causar perdas e dependem da capacidade de pagamento da outra parte, risco que a garantia da câmara reduz. Para o vocabulário de base, veja os verbetes de câmbio e PTAX e o artigo Contrato futuro de dólar e minidólar: o que é, como funciona e quais os riscos.

Verbetes do glossário: Câmbio (dólar) PTAX

Fontes

  1. Banco Central do Brasil: Leilões de swap cambial (Relatório do Selic 2024) · consultado em 24/10/2026
  2. B3: Swap (derivativos de balcão) · consultado em 24/10/2026
  3. Resolução BCB nº 45, de 24/11/2020 (metodologia da PTAX; DOU de 25/11/2020), arts. 2º, 3º, 4º e 7º, texto no Atlas Público · consultado em 28/10/2026
  4. B3: Termo de Moedas (derivativos de balcão) · consultado em 24/10/2026
  5. B3: Futuro de taxa de câmbio de reais por dólar comercial · consultado em 24/10/2026
  6. Lei 12.543/2011, art. 1º (altera o art. 2º, § 4º, e o art. 3º da Lei 6.385/1976), no Portal de Legislação do Senado · consultado em 24/10/2026
  7. Banco Central do Brasil: Estudo Especial nº 41/2019, O mercado de câmbio brasileiro e o desenvolvimento do mercado de derivativos cambiais, p. 4 e 6 · consultado em 28/10/2026
  8. Banco Central do Brasil: Trabalhos para Discussão nº 413 (Janot e Macedo, jan./2016), Efeitos das Intervenções Cambiais sobre a Taxa de Câmbio Futura no Brasil, seção 2.2, p. 9-10 · consultado em 28/10/2026
  9. B3: Termo de Moeda (FX NDF), ficha de produto de balcão · consultado em 28/10/2026
Brief Brasil

Receba o Brief Brasil todo dia às 7h

O resumo do dia, com a fonte de cada informação. Você confirma o e-mail e pode sair quando quiser.

Como este artigo é feito

Os artigos da Enciclopédia são escritos a partir de fontes oficiais brasileiras (CVM, B3, Banco Central, Tesouro Nacional, Receita Federal) e de livros-texto abertos. Cada número, data, regra e imposto é conferido contra essas fontes antes da publicação. Dados que mudam com o tempo trazem a data. Achou um erro? Escreva para o contato do site.

Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento, nem oferta de compra ou venda de qualquer ativo.

Escrito em 28/10/2026 · checado em 28/10/2026 · versão 10