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ETFs de renda fixa e ETFs internacionais: o que são, como funcionam e como são tributados

O que é

ETF é um fundo de índice negociado em bolsa (a sigla vem do inglês exchange traded fund). Ele busca reproduzir o desempenho de um índice de referência, sem tentar superá-lo, e suas cotas são compradas e vendidas na B3 como se fossem ações 1. O artigo ETFs: o que são, como funcionam e como são tributados explica a base; este aqui trata de duas variações.

O ETF de renda fixa tem uma carteira de títulos. Podem ser títulos públicos federais, como as NTN-B (que acompanham a inflação) e as LTN (prefixadas), ou ativos privados, como debêntures 1. A carteira segue um índice, por exemplo o IMA-B, que reúne títulos ligados à inflação 1.

O ETF internacional segue um índice de fora do Brasil. Pode ser de ações, como o S&P 500 (S&P 500) ou o Nasdaq, ou de renda fixa estrangeira 24. Em ambos os casos, a cota é negociada em reais na B3 24.

Como funciona

Todo ETF listado na B3 é regulado pela CVM. O Anexo Normativo V da Resolução CVM 175 diz que o fundo de índice aplica em uma carteira que busca refletir as variações e a rentabilidade de um índice de referência, por prazo indeterminado 5. A CVM precisa reconhecer o índice. Entre os critérios estão metodologia pública e gratuita, regras objetivas e provedor sem ligação com o administrador ou o gestor 5.

O mesmo anexo traz outras regras que ajudam a entender o produto:

  • as classes de cotas não podem ser alavancadas nem inversas 5;
  • é proibida taxa de performance 5;
  • a classe pode ser destinada ao público em geral, e o índice pode ser nacional ou estrangeiro 5;
  • as cotas devem poder ser negociadas no mercado secundário, isto é, entre investidores, na bolsa 5.

Na criação e no resgate de cotas, o administrador pode aceitar uma cesta de ativos ou dinheiro, e a regra permite que parte pequena da cesta fuja do índice: até 5% do montante, ou até 20% quando se trata de ativos de mesma natureza, de outra emissão, em fundos de renda fixa 5. Essa criação e esse resgate de cotas passam por agentes autorizados, como corretoras e distribuidoras, e não pelo investidor comum 2.

O investidor comum só enxerga o pregão. A liquidação é em D+2 (dois dias úteis depois do negócio) e o lote padrão é de 1 cota 23.

Como o preço se forma

O preço sai de ofertas de compra e de venda. Por isso o valor de mercado pode ficar momentaneamente abaixo do valor dos ativos da carteira, o chamado deságio 1.

Renda fixa: o preço da cota mexe com os juros

O preço de um título de taxa fixa é ajustado todos os dias conforme as condições da economia e as taxas de juros; essa oscilação afeta quem vende antes do vencimento 11. É a Marcação a mercado: o que é, como funciona e por que o preço de um título muda. O ETF de renda fixa carrega esse movimento na cota, e a B3 chama atenção para a sensibilidade da carteira a inflação, juros e política monetária 1. Em 24 de outubro de 2026, a meta Selic estava em 13,75% ao ano, em vigor desde 17 de setembro de 2026, quando saiu de 14,00% 9. A taxa muda a cada reunião do Copom; veja Selic.

Internacional: o câmbio entra na conta

Mesmo sem abrir conta no exterior, o investidor fica exposto ao dólar de forma indireta. Se o dólar cair, isso pode reduzir o retorno em reais 4. Quando o ETF compra ativos em outra moeda, o resultado em reais combina dois movimentos: o do índice e o do câmbio (Câmbio (dólar)).

A conta: índice e câmbio juntos

Uma aproximação simples, sem custos nem erro de acompanhamento:

Fórmula: variação em reais = (1 + variação do índice na moeda de origem) × (1 + variação do câmbio) − 1

  • variação do índice: quanto o índice subiu ou caiu em dólares, por exemplo;
  • variação do câmbio: quanto o dólar subiu (positivo) ou caiu (negativo) em reais.

Com índice +10% e dólar −5%: 1,10 × 0,95 = 1,045. O resultado em reais é +4,5%, e não +10%.

Na prática: duas operações hipotéticas em 2026

Os valores são inventados para mostrar a conta; não representam nenhum ETF real.

1. ETF de renda fixa. Em 2 de março de 2026, um investidor compra 100 cotas a R$ 100,00 (R$ 10.000,00). Em 15 de outubro de 2026, vende a R$ 108,00 (R$ 10.800,00). Suponha prazo médio da carteira de 900 dias.

  1. Ganho: R$ 10.800,00 − R$ 10.000,00 = R$ 800,00.
  2. Alíquota: acima de 720 dias de prazo médio, 15% 67.
  3. Imposto: 15% × R$ 800,00 = R$ 120,00, retido na fonte 67.
  4. Ganho líquido: R$ 680,00, antes de corretagem e taxas.

Se a cota tivesse caído para R$ 95,00, haveria perda de R$ 500,00. No ETF de renda fixa, o prejuízo não se compensa com ganhos de outros ativos 7.

2. ETF de ações internacionais. Em 2 de março de 2026, o investidor compra 100 cotas a R$ 100,00 e, em 15 de outubro de 2026, vende quando o índice subiu 10% em dólares e o dólar caiu 5%. A cota vale R$ 104,50 (100 × 1,10 × 0,95).

  1. Venda: 100 × R$ 104,50 = R$ 10.450,00. Ganho: R$ 450,00.
  2. Imposto de 15% sobre o ganho 78: R$ 67,50, pago pelo investidor por DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda 48.

Importante: são ilustrações, não projeções. Os mesmos ETFs poderiam ter perda se o índice caísse ou se o dólar caísse mais.

Tipos de ETF fora do Ibovespa

TipoO que a carteira acompanhaOnde se negocia
ETF de renda fixa nacionalÍndice de títulos públicos ou privados brasileiros 1Cotas na B3, em reais 1
ETF de renda fixa internacionalÍndice internacional reconhecido pela CVM, de títulos públicos ou privados 2Cotas na B3, em reais 2
ETF de ações internacionaisÍndice de ações estrangeiras, como S&P 500, Nasdaq ou MSCI 4Cotas na B3, em reais 4
BDR de ETF de renda fixaCotas de um ETF de renda fixa estrangeiro, via certificado emitido no Brasil 3Certificado na B3, em reais 3

E o BDR de ETF?

BDR (Brazilian Depositary Receipt) é um certificado emitido no Brasil que representa um ativo do exterior. No BDR de ETF, uma instituição depositária guarda no exterior as cotas do ETF estrangeiro, bloqueadas, e emite os certificados que são negociados na B3 3. Pessoa física pode comprar quando o mercado principal do ETF é reconhecido, o emissor é supervisionado e a depositária traduz os documentos para o português; investidor qualificado pode comprar em qualquer caso 3. Veja BDRs: o que são, como funcionam e quais os riscos.

ETF de renda fixa ou ETF internacional: o que muda

PontoETF de renda fixaETF de ações internacionais
AtivosTítulos de renda fixa 1Ações de outros países 4
Principais fontes de oscilaçãoJuros, inflação e política monetária 1Índice estrangeiro e câmbio 4
Imposto sobre o ganho25%, 20% ou 15% pelo prazo médio da carteira, retido na fonte 715% (20% no day trade), recolhido pelo investidor 47
Isenção de R$ 20 mil por mêsNão se aplica 7Não há 78
PrejuízoNão compensa com outros ativos 7Compensa com ganhos futuros da mesma classe 78

A tabela compara características. Nenhum dos dois é melhor: cada um tem objetivo, imposto e risco diferentes.

O que esses ETFs oferecem e o que não resolvem

Vantagens

  • Acesso a uma carteira de títulos ou de ativos estrangeiros por meio de uma cota, em reais, sem conta no exterior 14.
  • Liquidez diária na bolsa 1.
  • Taxa de administração normalmente inferior à de fundos tradicionais, segundo a B3 1, e vedação de taxa de performance 5.
  • Índice e carteira públicos 5.

Riscos e limitações

  • Risco de perda de capital. A cota acompanha o índice, inclusive nas quedas. No de renda fixa, a oscilação do preço dos títulos com os juros pode reduzir o valor da cota quando ela é vendida antes de a carteira vencer 11.
  • Câmbio. No ETF internacional, o dólar pode reduzir o retorno em reais 4.
  • Preço de mercado. A cota pode negociar abaixo do valor da carteira 1.
  • Sem proteção. O FGC não cobre créditos representados por cotas de fundos de investimento 12; veja FGC: o que o Fundo Garantidor de Créditos cobre, até quanto e o que fica de fora.
  • BDR de ETF. O investidor pode não ter garantia de ingressar com ações no Brasil ou no exterior por falhas de informação, e a depositária não tem obrigação de fazê-lo 3.

Imposto e regras no Brasil

A CVM regula os fundos de índice pela Resolução CVM 175 e seu Anexo Normativo V 5. A CVM também publicou, em 18 de julho de 2025, o Ofício-Circular CVM/SIN 04/25, com interpretações sobre ETFs e BDRs de ETF 10; o PDF não foi lido para este artigo, então consulte-o para detalhes.

ETF de renda fixa. A Lei 13.043/2014, art. 2º, trata do imposto: 25% para prazo médio de repactuação da carteira de até 180 dias, 20% de 181 a 720 dias e 15% acima de 720 dias 6. O benefício depende de a carteira ter pelo menos 75% de ativos do índice de referência; se descumprir, a alíquota é de 30% enquanto durar o descumprimento 6. O imposto é retido na fonte e cobrado só no resgate, na venda das cotas ou na distribuição de rendimentos 6. A B3 informa as mesmas faixas, em página atualizada em 1º de junho de 2026 7. O ganho é declarado na tributação exclusiva, e não na ficha de renda variável 7. Regras em vigor nessa data; consulte as fontes para mudanças.

ETF de ações internacionais listado na B3. Segue a regra dos ETFs de renda variável: 15% em operação comum e 20% no day trade, sem isenção de R$ 20 mil 78. O investidor apura por mês e paga DARF 47.

BDR de ETF de ações. A B3 informa as mesmas alíquotas de renda variável 8. Para o BDR de ETF de renda fixa, a mesma página diz que a alíquota segue o prazo médio da carteira do ETF estrangeiro, com retenção na fonte 8. Essa página é de janeiro de 2024; confira se há mudança.

Atenção: a tabela do ETF de renda fixa (25%, 20% e 15%) é a da lei específica desses fundos 6. Não a confunda com a de outros fundos de longo prazo. Para o dever de declarar e os códigos de bens, veja Como declarar investimentos no Imposto de Renda: o que informar, onde e quando.

Perguntas frequentes

ETF de renda fixa paga imposto de renda?

Sim. A alíquota é 25%, 20% ou 15%, conforme o prazo médio da carteira, e é retida na fonte 67. O prazo que vale é o da carteira, não o do investidor 8.

ETF internacional é negociado em dólar?

As cotas dos ETFs internacionais listados na B3 são negociadas em reais 4. A carteira, porém, tem ativos em outras moedas, e o câmbio afeta o resultado 4.

ETF de ações internacionais tem isenção de R$ 20 mil?

Não. Qualquer ganho na venda de cotas é tributado 78.

ETF de renda fixa tem garantia do FGC?

Não. O FGC não cobre créditos representados por cotas de fundos de investimento 12. O preço da cota varia com o mercado 1.

ETF de renda fixa pode ter prejuízo mesmo com título público na carteira?

Pode. O preço da cota muda com os juros e com o preço de mercado dos títulos; o preço dos títulos é ajustado ao mercado, e quem vende antes do vencimento pode receber menos do que esperava 11.

Para fechar

ETF de renda fixa e ETF internacional ampliam a ideia de fundo de índice para além do Ibovespa. Um acompanha títulos e fica sensível a juros e inflação; o outro acompanha mercados do exterior e depende também do câmbio. Os dois têm regras de imposto diferentes e nenhum elimina o risco de perda. Para a base do produto, veja ETFs: o que são, como funcionam e como são tributados; para o certificado do exterior, veja BDRs: o que são, como funcionam e quais os riscos.

Verbetes do glossário: ETF S&P 500 Câmbio (dólar)

Fontes

  1. B3 Educação: ETF de Renda Fixa · consultado em 24/10/2026
  2. B3: ETF de Renda Fixa Internacional · consultado em 24/10/2026
  3. B3: Brazilian Depositary Receipts (BDRs) de ETF de Renda Fixa · consultado em 24/10/2026
  4. B3 Educação: ETF de ações internacionais · consultado em 24/10/2026
  5. CVM: Anexo Normativo V (Fundos de Índice) da Resolução CVM 175, de 23/12/2022 · consultado em 24/10/2026
  6. Lei 13.043/2014, art. 2º (cópia no Contábeis; a página do Planalto não abriu) · consultado em 24/10/2026
  7. Bora Investir (B3): De lucros a dividendos, como declarar ETFs no Imposto de Renda 2026 (publicado em 26/03/2026, atualizado em 01/06/2026) · consultado em 24/10/2026
  8. Bora Investir (B3): Como ficam os impostos para investimentos em ETFs e BDRs (publicado em 16/11/2022, atualizado em 10/01/2024) · consultado em 24/10/2026
  9. Banco Central do Brasil, SGS: série 432 (Meta Selic), de 01/08/2026 a 24/10/2026 · consultado em 24/10/2026
  10. CVM: Ofício-Circular CVM/SIN 04/25, de 18/07/2025, interpretações sobre ETFs e BDRs-ETF (só a página de identificação abriu; o PDF não foi lido) · consultado em 24/10/2026
  11. Portal do Investidor (CVM): Títulos Públicos (marcação a mercado) · consultado em 24/10/2026
  12. FGC: produtos garantidos e não garantidos (página inicial) · consultado em 24/10/2026
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Escrito em 24/10/2026 · checado em 24/10/2026 · versão 2