Mercado futuro e contratos futuros: o que são, como funcionam e quais os riscos
O que é
Mercado futuro é o ambiente de bolsa em que se negociam contratos futuros. Contrato futuro é um acordo padronizado: as duas partes se comprometem a trocar um ativo numa data futura, a um preço fixado hoje. O ativo de referência se chama ativo subjacente. Pode ser o dólar, uma taxa de juros, um índice de ações ou uma commodity 1.
Esse tipo de contrato pertence à família dos derivativos, ativos cujo valor depende de outro ativo 1. A bolsa define o tamanho, o vencimento e a forma de cotação. Por isso, quem compra e quem vende não negocia as condições uma a uma, como num contrato feito sob medida.
Quem compra o contrato assume a posição comprada, a de quem espera alta do preço. Quem vende assume a posição vendida, a de quem espera queda 4. Com o ajuste diário, se os preços sobem, quem está comprado recebe os ganhos, e quem está vendido paga 9. As duas posições existem ao mesmo tempo para cada contrato negociado: o ganho de um é a perda do outro.
Atenção ao DI futuro: nele o "preço" que se negocia é uma taxa de juros, e o valor do contrato em reais (o PU, explicado abaixo) se move no sentido oposto ao da taxa 3.
Um exemplo clássico: uma empresa importadora que precisa pagar em dólar no futuro pode travar hoje o preço dessa moeda, reduzindo o risco de câmbio. Isso é o que o Portal do Investidor chama de proteção, o hedge 1.
Como funciona
O contrato tem prazo. Cada contrato tem uma data de vencimento e um último dia de negociação. Nos contratos de dólar e de juros da B3, o vencimento cai no primeiro dia útil do mês, e o último dia de negociação é a sessão anterior 23. A liquidação, no vencimento, é financeira nesses dois contratos: não há entrega física de dólares, só um acerto em reais 23.
A diferença do mercado futuro para outros acordos a prazo está no meio do caminho. Em vez de acertar tudo só no vencimento, a bolsa faz um acerto todo dia.
Ajuste diário
Os contratos futuros são ajustados diariamente pelo preço de fechamento: a diferença entre um pregão e outro é paga ou recebida 9. Quem ganhou recebe, quem perdeu paga, com acerto ao fim de cada sessão 4. O ganho ou a perda aparece a cada dia, não só no vencimento.
No DI1, o preço de ajuste é calculado pela média ponderada por volume (VWAP) negociada entre 16h10 e 16h20 3.
Margem de garantia
Para manter uma posição aberta, o participante deposita uma garantia, a margem, em dinheiro ou em ativos aceitos. Ela cobre perdas possíveis e fica bloqueada até o encerramento da operação 8. Se a posição se desvaloriza, a corretora pode pedir reforço da garantia. Isso é a chamada de margem. Se o pedido não for atendido, a corretora pode encerrar a posição 8.
Como a margem costuma ser uma fração do valor total do contrato, a posição é alavancada: um movimento pequeno do preço gera ganho ou perda grande sobre o valor depositado. O Portal do Investidor destaca o risco de alavancagem e o de perdas, não só de ganhos 1.
Os contratos que mais aparecem nas notícias
Dólar futuro
O contrato DOL, da B3, tem tamanho de USD 50.000. É cotado em reais por USD 1.000, e a variação mínima de preço é R$ 0,5 por USD 1.000. O lote padrão é de 5 contratos 2. O mini dólar (WDO) tem tamanho equivalente a 20% do contrato padrão 4.
A cotação do dólar futuro refere-se ao vencimento do contrato 2. A taxa de câmbio do dia é outra medida, e o artigo Câmbio (dólar) explica como ela é formada. Dados desta seção valem em 24 de outubro de 2026; confira a ficha técnica da B3 para mudanças.
DI futuro
O DI1 tem como ativo subjacente a taxa média diária dos Depósitos Interfinanceiros (DI), calculada e divulgada pela B3. Serve para proteção e gestão do risco de juros 3. A Selic é a taxa básica de juros, com meta fixada pelo Copom 7; o artigo Selic mostra como ela se liga às taxas do mercado.
O contrato vale R$ 100.000 no vencimento. Cada ponto equivale a R$ 1,00. É cotado em taxa de juro efetiva anual, base 252 dias úteis 35. A variação mínima é 0,001 ponto para vencimentos até 3 meses e 0,005 ponto acima disso 3.
Quando o noticiário diz que "a curva de juros futuros subiu", fala-se das taxas negociadas nos contratos de DI para diferentes vencimentos.
A conta: ganho e perda de uma posição
A conta do ajuste de um contrato de dólar é:
ajuste = (preço de ajuste de hoje − preço de ajuste anterior) × tamanho do contrato ÷ 1.000
- Para a posição comprada, o resultado positivo é ganho. Para a vendida, o sinal inverte.
- O tamanho é USD 50.000 no DOL 2. Como a cotação é por USD 1.000, cada ponto de variação equivale a 50 vezes o valor em reais.
No DI1, a cotação é uma taxa efetiva anual, base 252 dias úteis 3. A conta do preço unitário (PU) abaixo é cálculo didático, derivado dessa convenção, e não uma fórmula copiada da B3: PU = 100.000 ÷ (1 + taxa)^(dias úteis ÷ 252). A taxa entra como número decimal (14% = 0,14).
Na prática: um contrato de dólar e um de DI
Os números abaixo são hipotéticos: não são cotações reais.
Dólar futuro. Suponha que um contrato DOL seja negociado a 5.500,0 (R$ 5,50 por dólar). Valor de referência: 50 × 5.500,0 = R$ 275.000,00, sobre USD 50.000 2. No fim do dia, o preço de ajuste é 5.510,0.
- Variação: 5.510,0 − 5.500,0 = 10,0 pontos.
- Ajuste: 10,0 × 50 = R$ 500,00.
- Quem estava comprado recebe R$ 500,00; quem estava vendido paga R$ 500,00.
Se o preço caísse 10 pontos, o sinal inverteria. A variação mínima de 0,5 ponto equivale a R$ 25,00 por contrato (0,5 × 50) 2.
DI futuro. Em 17 de setembro de 2026, a meta Selic passou a 13,75% ao ano 7. Suponha um DI1 negociado à taxa de 14,00% ao ano, com exatamente 252 dias úteis até o vencimento.
- PU = 100.000 ÷ 1,14 = R$ 87.719,30.
- Pela fórmula, se as taxas negociadas subirem, o PU cai. Se as taxas descerem, o PU sobe.
- Por isso, no DI1 "preço subiu" e "taxa subiu" são movimentos contrários. Antes de ler que alguém "ganhou" ou "perdeu", confira se a frase fala do PU ou da taxa.
Esses exemplos são ilustração didática, não projeção de dólar, de juros ou de resultado. A margem exigida não entra na conta porque depende de regras da câmara e da corretora e pode mudar 8.
Mercado futuro ou mercado a termo
| Futuro | A termo | |
|---|---|---|
| Padronização | Contrato padronizado pela bolsa, com tamanho e vencimento definidos 23 | Contrato personalizado 10 |
| Acerto | Ajuste diário em dinheiro 9 | Liquidação só no vencimento, sem ajuste diário 10 |
| Garantia | Margem exigida 8 | Alavancagem com margem 10 |
| Saída antes do prazo | Pode-se encerrar a posição antes 4 | Encerramento antecipado por operação inversa 10 |
O tema do termo tem artigo próprio, Mercado a termo: o que é, como funciona e quais são os riscos.
Vantagens e riscos
Para que serve
- Proteção. Empresas e instituições podem travar câmbio ou juros e reduzir a incerteza de custos e receitas 13.
- Padronização. Tamanho, vencimento e cotação são definidos pela bolsa 23.
- Menor aporte inicial. O DI1 permite exposição com menor aporte de margem do que alguns derivativos de balcão com contraparte central 3.
- Encerramento antes do vencimento. A posição pode ser encerrada antes do prazo 4.
Riscos
- Perda do capital e mais. Se o mercado se move contra a posição, o participante pode perder mais do que o valor depositado como margem 8. A alavancagem amplia o efeito de cada movimento do preço 1.
- Ajuste diário e chamada de margem. A perda é paga em dinheiro todo dia, e pode ser pedido reforço de garantia; sem ele, a posição pode ser encerrada 89.
- Oscilações bruscas. Câmbio e juros reagem a eventos econômicos e a fluxos internacionais, e a posição sente isso rápido 4.
- Complexidade. O contrato exige entender vencimento, cotação, ajuste e margem antes de qualquer uso.
Para tratar uma posição como "proteção", é preciso ter de fato a exposição que se quer cobrir. Sem ela, o contrato passa a ser uma exposição nova, com os riscos acima.
Imposto e regras no Brasil
A B3 é a bolsa que lista os contratos citados 23. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) tem, pela Lei 6.385/1976, a missão de assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão e de proteger os investidores 14.
Imposto de renda. A Receita Federal informa que o ganho líquido em operações de bolsa, incluindo mercados futuros, paga 15% nas operações comuns e 20% no day trade, aquele em que a operação é aberta e encerrada no mesmo dia 6. Perdas podem ser compensadas com ganhos futuros 6. A B3 informa que não há isenção mensal para esses ganhos 4. Os detalhes de apuração dos futuros (soma dos ajustes do mês e regras de compensação do day trade) estão em norma específica da Receita Federal, que não foi lida diretamente neste artigo; consulte o texto oficial no site da Receita.
Retenção na fonte (IRRF, o "dedo-duro"). É uma antecipação do imposto, não o imposto final. A página da Receita traz 1% sobre o resultado do day trade e 0,005% nas operações comuns, ambos dedutíveis do imposto do mês 11. A base exata da retenção nos futuros está na norma da Receita mencionada acima.
Lei 15.270/2025. A Receita descreve como principais elementos da lei a ampliação da isenção do IRPF, a tributação anual de altas rendas (acima de R$ 600.000 por ano, a partir do ano-calendário de 2026) e o IRRF sobre dividendos 12. Essa lista não inclui mudança nas alíquotas de ganho líquido em bolsa, que a página da Receita ainda traz em 15% e 20% 6. Quem tem renda anual alta deve consultar a Receita para saber como a tributação mínima se aplica ao seu caso. Regra em vigor em 24 de outubro de 2026, segundo as fontes citadas; consulte-as para mudanças.
Garantia. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) cobre uma lista de produtos, como conta corrente, poupança e CDB, até R$ 250.000 por CPF e por instituição ou conglomerado 13. Contratos futuros não constam dessa lista 13. O risco de preço é do participante.
Perguntas frequentes
Contrato futuro é a mesma coisa que opção?
Não. No contrato futuro, assume-se o compromisso de comprar ou vender em data e valor definidos, e as duas partes devem cumprir 9. Na opção, o comprador tem o direito de exercer ou não, e perde apenas o prêmio pago se não exercer 9. O tema tem artigo próprio: Opções: o que são, como funcionam e quais são os riscos.
O dólar futuro é igual ao dólar do dia?
Não. A cotação do dólar futuro refere-se ao vencimento do contrato 2. A taxa do dia é uma medida à parte. O artigo sobre câmbio e a PTAX explica a taxa do dia.
O que acontece no vencimento do contrato?
Nos contratos DOL e DI1, a liquidação é financeira: há acerto em reais, sem entrega física de dólares 23. A posição também pode ser encerrada antes, com uma operação contrária 4.
Posso perder mais do que depositei?
Sim. A B3 informa que, se o mercado se mover contra a posição, o participante pode perder mais do que o valor depositado como margem 8. A margem é uma fração do valor do contrato, e o resultado é calculado sobre o contrato inteiro. Por isso, o Portal do Investidor chama atenção para o risco de alavancagem e de perdas 1.
O que é "DI futuro" quando o jornal fala em juros futuros?
É o contrato DI1, cuja cotação é uma taxa de juro anual para um vencimento. As taxas dos vários vencimentos formam a chamada curva de juros futuros 3.
Para fechar
Contrato futuro é uma ferramenta de bolsa para travar ou assumir exposição a preços e taxas numa data futura, com ajuste diário em dinheiro e margem de garantia. Serve à proteção e à especulação, e a alavancagem amplia ganhos e perdas na mesma medida, com perda possível acima da margem. Para entender melhor o ambiente, veja Derivativos: o que são, para que servem e quais os riscos e Opções: o que são, como funcionam e quais são os riscos.
Verbetes do glossário: Mercado futuro (CBOT, CME, ICE) Selic Copom Câmbio (dólar) PTAX Commodities
Fontes
- gov.br/investidor: Derivativos · consultado em 24/10/2026
- B3: Futuro de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial (DOL) · consultado em 24/10/2026
- B3: Futuro de Taxa Média de Depósitos Interfinanceiros de Um Dia (DI1) · consultado em 24/10/2026
- B3 Educação: Futuro Mini de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar Comercial (WDO) · consultado em 24/10/2026
- B3: Programa de Treinamento DI, 04 Especificações do Contrato · consultado em 24/10/2026
- Receita Federal: Bolsa de Valores (renda variável, alíquotas) · consultado em 24/10/2026
- Banco Central do Brasil: histórico das taxas de juros (meta Selic) · consultado em 24/10/2026
- B3 Bora Investir: Margem de garantia · consultado em 24/10/2026
- B3 Bora Investir: Derivativos, o que são, para que servem e como investir · consultado em 24/10/2026
- B3 Bora Investir: Mercado a termo · consultado em 24/10/2026
- Receita Federal: Retenções (IRRF em bolsa de valores) · consultado em 24/10/2026
- Receita Federal: Perguntas e respostas sobre a Lei 15.270/2025 (versão de 19/12/2025) · consultado em 24/10/2026
- FGC: Sobre a garantia FGC · consultado em 24/10/2026
- CVM: Competência (Lei 6.385/1976) · consultado em 24/10/2026
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Escrito em 24/10/2026 · checado em 24/10/2026 · versão 3